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Uma visita ao cenário da morte de Elvis, exatos 40 anos depois

Faz 40 anos do 16 de Agosto de 1977. Triste é pensar que nos seus últimos dias Elvis estava tão ferrado que pesava mais de 150kg, uma enormidade para seu 1,82m de altura, e que ingeria cerca de 40 comprimidos por dia de drogas “lícitas” das mais variadas – foi encontrada 10 vezes a quantidade de codeína (opióide, mas bem mais fraco que morfina) aceitável para tratamento (que ele não precisava) em seu corpo na análise das causas de sua morte.

Seu coração, dado o estilo de vida nada saudável que levou em seus últimos anos, estava duas vezes o tamanho normal de um órgão saudável para um homem de 42 anos. Tinha enfisema pulmonar, apesar de nunca ter fumado, e foi encontrado já morto no banheiro de Graceland, com a cara enfiada no chão, e levado ao hospital onde foi atestado seu óbito às 15h16.

O cara mais importante da história do rock, o (merecidamente) rei, estava morto. Nunca ninguém chegou perto de sucedê-lo.

Tudo isso nos leva a Graceland, em Memphis, no Tennesse, sua casa, refúgio, mansão, o palácio real projetado para viver sua vida paralela à realidade, onde ele não cabia – não podia sair às ruas, não podia conviver normalmente em sociedade. Não é desculpa, mas esse bloqueio de realidade certamente contribuiu para sua decadência física fatal.

O túmulo dele fica na propriedade. Ao lado dos túmulos de sua mãe, Gladys, do pai, Vernon,e do irmão Jessie, que faleceu no nascimento – 8 de janeiro de 1935. Essa era uma piração de Elvis: um irmão gêmeo idêntico que não teve a chance de…virar outro Elvis.

Tudo em Elvis é mega. Tudo em Graceland é mega.

Graceland fica na Elvis Presley Boulevard. Você estaciona o carro do outro lado da avenida, ao lado de onde ficam os aviões do rei, todos grafados com o TCB (“Taking Care of Business”), seu lema, e o logo com raio.
É conduzido à mansão num micro-ônibus. E entra pela porta da frente, como um membro da família. De cara, você tenta incorporar um filtro de que está entrando na residência de um verdadeiro mito, do qual as histórias mais parecem terem sido inventadas. E outro filtro, de que a casa e decoração foram congelados no tempo, no dia em que Elvis morreu ali.

E é muito estranho estar no lugar onde Elvis morreu. Você vê a sala com três televisores e fica a imaginar ele assistindo-os em uma das poltronas com uma arma na mão, como dizem que ele fazia.

Você vê a mesa de bilhar com o rasgo no tecido – obra de um de seus amigos – ainda mantido. E acompanha tudo pelo fone de ouvido, com narração de aposento por aposento, muitas vezes na voz do próprio Elvis.

O cômodo mais feio do mundo, Jungle Room, decorado a pedido do próprio como se fosse uma selva, a sala com uma máquina de pinball e o piano que ele tocou na manhã de seu último dia de vida. O stand de tiros, os cavalos, os discos de ouro e as roupas. São muitas. Os macacões clássicos e brancos, dos anos 1970, inspirados em quimonos de caratê, sua paixão pós-separação de Priscila. As roupas que usou nos filmes que estrelou nos 60, a roupa que usou no casamento, a roupa do clássico especial de 1968…

Você olha tudo aquilo e de repente se vê tocando a parede de um corredor qualquer, decorada com papel de parede ou uma tapeçaria, e fica imaginando que Elvis passava por ali de pijama à noite para buscar um copo d’água.

O ônibus o conduz de volta ao outro lado da avenida, onde ficam as lojas. Sim, no plural – pelo menos umas seis delas. Dizem que existem quase três mil produtos à venda com a marca do rei.

Mais uma vez: tudo é mega em Elvis.

Para essa visita, que custa uns U$ 30, cerca de 700.000 se dirigem a Memphis todos os anos. Mais do que a população da cidade, que bate nos 680.000.

Uma visita estranha, tocante, triste e comovente ao mesmo tempo. Pois esse ícones são maiores que a vida.

PS: é proibido filmar dentro de Graceland. Mas como demorei quase 40 anos para estar ali, corri o risco, fingindo que estava tirando fotos. O resultado está na colagem abaixo:

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