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Parabéns às mulheres. Mas não queria estar na pele de vocês

Esperei o dia seguinte ao Dia Internacional para escrever porque simplesmente nunca me manifestei socialmente sobre o assunto e não queria me misturar ao chorume geral com que o assunto é discutido em mídias sociais.
Dizer que não quero estar na pele das mulheres é todo o respeito que tenho à causa que tomou socialmente o formato de maniqueísta. Não existem dois lados dessa questão. O que se convencionou chamar de feminismo hoje é tão somente equidade.
Não queria estar na pele de uma mulher neste março de 2018 porque sei como são tratadas socialmente, publicamente ou, pior, privadamente. Pois no Facebook, Instagram, Twitter, todo mundo é bacanão, verdadeiros arautos da moralidade.
Só que na empatia, no se colocar no lugar do outro, é um tratamento que continua sendo de conveniência – mulher é número quando convém ser número, é gênero quando convém ser gênero. É estética quando convém ser estética, é igual somente quando convém ser “igual”. Em TUDO isso a conveniência é masculina. 100%.
Nos números frios de folhas de pagamento, no trato corporativo quando interessa distribuição de responsabilidades não concluídas, aí a história muda de forma. Sempre de modo desfavorável à mulher.
Sei que tenho propriedade para falar isso justamente por não estar ou ter nascido na pele feminina, mas por tentar me colocar.
Por isso nunca me manifestei sobre o assunto, já que tende a ser um debate público da profundidade que uma formiga o atravessa com água pelas canelas (formiga tem canela?).
Minha congratulação não é pelo dia, mas pelas batalhas que são conquistadas com esforço no mínimo dobrado.
Daí comemoro ao saber que seis milhões de espanholas fizeram paralisação ontem para mostrar que o assunto não pode continuar velado, que não é aceitável um país que paga quase 1/5 menos a um trabalhador do sexo feminino pelas mesmas tarefas e responsabilidades.
Chegará o dia que leremos que o que se manifesta como feminismo hoje receberá o justo nome de equidade. Pois não pode existir régua para medir o ser humano por qualquer motivo que seja conveniente a uma fatia desses, raça, religião ou gênero.
Parabéns a todas de quem não queria estar na pele mas que insisto em fazer o exercício de estar, por interesse quase egoísta de evolução enquanto ser humano.

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