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Na briga entre Folha de S.Paulo e Facebook quem ganha somos nós


Quando digo nós refiro-me a quem não trabalha nem em um nem noutro.
Melhor contextualizar.
O jornal de maior circulação do país, a Folha, deixou de publicar conteúdo na maior rede social do mundo, o Facebook.
Num primeiro momento a análise superficial apontaria que é uma atitude do jornal de “fazer conteúdo de qualidade tem custo, e vocês querem este de graça e ainda monetizar sobre ele? Aqui, ó! (e um gesto de banana no ar)”.
Indícios para tanto não faltam, já que o Facebook apostou fortemente nos últimos anos em conteúdo de terceiros para gerar tráfego. Criou até uma ferramenta de publicação de conteúdo para os produtores para facilitar isso, o Instant Articles (onde quem produzia tinha facilidade ampliada para subir o material na rede e era até beneficiado em exposição por isso).
Aí veio a guerra contra Fake News, que era inevitável. Afinal basta fazer uma conta reversa: o que gera mais tráfego? Boataria. O que as pessoas mais buscam na Internet? Atenção (também conhecido como tráfego). Logo, entre a realidade e a ficção, publique a ficção (já dizia o sábio Billy Wilder no seu estupendo A Montanha dos Sete Abutres).
Mas voltemos ao tópico deste post. A quem se beneficia nesta briga.
O motivo alegado pela Folha é mais que justificável. Esbarra, claro, na monetização do conteúdo mas alveja algo que é tremendamente perigoso em mundo que caminha para as redes sociais monopolizando o fluxo de informações.
Não é segredo que o sucesso do Facebook e de outras redes reside em trabalhar algoritmos para criar em torno das pessoas um ecossistema confortável. Só que essa zona de conforto é muito prejudicial quando tratamos da função primária da informação, que é a conscientização.
Algoritmos criam, assim, bolhas de “amigos” à sua volta baseado em pessoas que agem, tem os mesmos gostos e pensam como você.
Ops, releia o terceiro ponto da frase. Pessoas que “pensam como você”.
Não é preciso nível elevado de dedução para saber que a certeza de que tudo o que é dito e será aplaudido parirá pequenos monstros extremistas em universo em que as pessoas buscam desesperadamente por atenção (e aplausos. Tem até emoticon de aplauso, né?).
A situação caminha/va para uma polarização que esvazia o saudável debate. E mais: o respeito pela opinião contrária.
Desde muito cedo decidi que nunca discutiria polêmicas por redes sociais justamente por isso, porque quero ouvir e entender o ponto de vista do outro sem necessariamente atirar pedras nos contrários ou diversos.
Estou quebrando essa minha regra agora, neste texto. Mas é por uma razão nobre.

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